Não devia ser mas...
é nestas alturas que damos o verdadeiro valor a isto a que chamamos de "vida".
Estou muito apreensiva com isto tudo.
Entre quatro paredes... mas até quando?
Custa-me ouvir as notícias. Custa-me ter de estar longe de algumas pessoas que me são queridas. Custa-me pensar que tanto vai mudar nos próximos meses.
Nem sequer havia imaginado que escalasse tanto e tão repentinamente. Pensamos sempre, e de forma egoísta, que cá não vai ser assim. Aqui em Portugal não. Temos muita pena e ficamos tristes pelos outros mas só quando realmente nos toca um dos nossos é que tomamos consciência de que tudo isto é real, e não são os próximos capítulos de um livro de ficção. Embora, muitas vezes, pareça! É surreal esta corrida aos supermercados de forma desmedida como se o mundo fosse acabar, é duro ouvir pessoas dizerem que vão fazer stock de paracetemol ou que vão comprar o maior número de máscaras porque podem até precisar e se não precisarem vendem e lucram com isso!
Sacudam a poeira, arejem a casa, sei lá... é uma boa forma de , pelo menos viver melhor!
Compreendo que ficando em casa muito tempo, tenhamos de ter comida suficiente para não sermos forçados a sair de casa novamente. Compreendo que comprem paracetemol, máscara e álcool mas, desculpem o meu desabafo, não compreendo a razão de fazerem stock disso tudo. Isso tem um nome. É egoísmo! Um dia alguém vai precisar de uma dessas coisas e não vai ter porque está esgotado! E depois como é? Ligam para a saúde 24 e ninguém atende (o que poderá ser compreensível dado o números de pessoas que liga a toda a hora ou de minuto a minuto para lá) , não têm máscara, os sintomas agravam-se e em desespero dirigem-se ao hospital e todos olham para eles como se tratassem de uma criatura do inferno que lhes suga a alma só com o olhar. É caso para perguntar... E se fosse consigo? Deixava-se ficar em casa a beber água com sal ou vinagre para que os sintomas como por magia desapareçam?
Felizmente as medidas estão a ser tomadas e o povo está a conseguir de uma vez por todas encaixar a ideia de que isto não está para brincadeiras e que o pior ainda está para vir. Dizem que o pico desta pandemia será em maio... e eu só penso como serão as nossas vidas até lá?
Escolas fechadas, cirurgias adiadas, lojas a fechar, salários para pagar aos funcionários, menos dinheiro a entrar em casa, teletrabalho (para alguns) , desemprego para outros, sonhos adiados para muitos outros e gente a morrer no mundo todo!
Não sou uma pessoa pessimista. A sério que não! Mas estou com muito , muito medo do que aí vem! Lembro-me perfeitamente da conversa que tive, há um ano atrás, com uns colegas de trabalho. Falavamos precisamente sobre a humanidade estar em risco com todo este avanço tecnológico... e que seria impossível travar isso. De uma conversa séria terminamos a rir de toda a situação e do facto de nos imaginarmos, no futuro, como animais mantidos em cativeiro por esses robôs, capazes de criar liações no seu ship, memorizar tudo sem necessidade de apagar informação e pensar de uma forma incrivelmente assustadora!
Hoje, ao relembrar essa conversa não pude esquecer as piadas que circulam pela internet sobre o covid-19 (eu própria coloquei aqui uma foto onde havia a indicação ao km 19 na freguesia de covide) e, eu confesso,na altura ri, ri muito com isso e com algumas coisas que me foram chegando também.
Neste momento, não me consigo rir.
Só quero que tudo isto termine o mais rapidamente possível.
Até lá, e porque nem tudo é mau, vou aproveitando para ler, escrever, passar mais tempo em casa e olhar para o meu lar como o meu porto seguro.
Encaro isto como uma oportunidade para PARAR e dar VALOR ao que é realmente importante. Não é que eu tivesse pedido isso mas é porque tem de ser! ![]()
Vai correr tudo bem...

