Não consigo escrever. Faltam-me as palavras. Disseste tudo o que eu nunca fui capaz de dizer e muito menos de admitir. Não me conheces. Como podes saber tanto? Senti a minha alma exposta quando me olhaste profundamente. Ouvia-te com a máxima atenção e senti vontade de fugir... Pediste-me para ficar e eu não me contive. Chorei. Chorei de alívio. Saiu-me um peso do peito. O meu corpo gritava em silêncio e eu precisava disto. De bons conselhos. Mas eu nem os pedi...
É um mau hábito mas não sei ser diferente. Resolvo tudo sozinha. Resolvo-me.
Fui assim habituada. Mas não vou mais guardar rancor. Talvez se não fosse assim eu não fosse o que sou hoje.
Penso demasiado nos outros e não gosto de fazer deles o contentor das minhas mágoas. Dou sempre o melhor de mim. O meu sorriso. A minha alegria, que dizem ser, contagiante. Por dentro, algumas vezes, estou desfeita.
Quando falaste comigo, eu estava bem. Feliz. E em fracções de segundo tudo mudou. Tocaste onde muito poucos tocaram.
Tocaste-me.
As tuas palavras entravam como punhais no meu coração.
Conheci-te por mero acaso e isso deixou-me assustada.
Como?
Como podes ler o que dizem os meus olhos e o que me vai cá dentro?
E porquê eu?
Só tenho a agradecer porque a partir desse dia, a minha vida mudou!
E passei a acreditar em dons especiais. Tu tens um. Tenho a certeza. Talvez nunca mais te veja... Obrigada! 🙏
«O meu quotidiano no "baile de máscaras" desmonta-se na tua presença. Essa autenticidade que se vislumbra no olhar, nos gestos e nas palavras do teu ser, abala positiva e estranhamente o meu mundo. Foges da norma e encantas-me. A tua sensualidade é a transparência da tua alma. Emanas um poder que estranha e positivamente perturba o meu estado homeostático. Acelera a vontade de conhecer-te bem de perto. O teu nome qual é? Não me interessa! Qual é a tua idade? Não quero saber! Hoje estás disponível? Podemos marcar onde quiseres… Queria muito direcionar-te estas palavras, mas falta-me coragem. Como consegues marcar essa diferença de forma tão bela? Pela primeira vez, não sei o que fazer. Não sei como fazer! Talvez um dia, não sei se longe ou perto deste, eu possa estar novamente contigo e as palavras consigam sair. Agora, infelizmente, tenho de ir para outras paragens, bem enfadonhas... Vou deixar-te no teu mundo impenetrável de tão seguro que é, mas levo-te comigo. Levo a tua presença no meu pensamento... e o teu sorriso. Não te sei explicar o que senti nestes breves minutos. Talvez um dia, não sei se perto ou longe deste, tu me possas dizer. Talvez um dia me aperceba que estes singelos minutos deram-me toda a explicação.».